Grécia Antiga


A Grécia Antiga é considerada o berço de muitos valores que governam e determinam a história ocidental. Estamos cercados de elementos, aspectos, criações e desenvolvimentos que vêm da antiga civilização, sobretudo o uso da razão, a filosofia e a democracia.

Localização

A Grécia atual é um país europeu localizado entre os mares Mediterrâneo, Egeu e Jônico e que se limita ao norte com a Albânia, a Iugoslávia e a Bulgária e a nordeste com a Turquia.

No que diz respeito à Grécia Antiga, seu território compreendia três regiões: a Grécia Continental, a Grécia insular e a Grécia Asiática.

Por volta de 3.000 a.C, disseminaram-se povoados fortificados de tribos de cultura agrária na península grega. Entre 1.600 e 1.200 a.C., intensificaram-se as migrações de povos pastores para a região, como os aqueus, os jônios e os dórios.

As polis gregas ou cidades-estado.

Colonização grega. Fonte: Wikimedia Commons – Dipa1965

Os gregos não se consideravam parte integrante de uma nação, mas membros de uma cidade-estado. Essas cidades nasceram do desejo de proteção dos camponeses, que, para se se protegerem dos ataques inimigos, passaram a construir uma fortaleza numa colina central do vale.

Por volta de 600 a.C., quase toda a população da região morava em cidades construídas em volta dessas fortalezas, onde passaram a erguer uma segunda muralha. Surgiu assim a polis, a cidade-estado grega.

Cada polis possuía as suas leis, seu governo, sua própria moeda. Às vezes, numa pequena superfície, havia muitas cidades-estado.

 

Economia e sociedade

A introdução da metalurgia do bronze e do ferro, o desenvolvimento do artesanato e a intensificação do comércio aumentam a produtividade entre os séculos VI e IV a.C. Esses fatores, associados às migrações e às guerras, modificam as antigas relações sociais, baseadas em clãs.

Os habitantes agrupam-se principalmente nas polis. O trabalho na agricultura e nas demais atividades manuais fica a cargo de escravos (em geral, presas de guerra) e parceiros semilivres.

As terras comunais ou gentílicas passam à propriedade de uma classe de proprietários territoriais, a nobreza. O desenvolvimento do comércio faz surgir uma classe de comerciantes e artesãos ricos.

Organização política

As polis assimilam primeiramente a forma monárquica. Em diferentes momentos, os nobres destronam os reis e estabelecem governos oligárquicos ou ditatoriais. Nobres, artesãos, comerciantes e camponeses lutam entre si pelo predomínio de seus interesses.

O processo de luta entre essas classes desemboca na democracia, quando são concedidos direitos aos estratos livres da população, independentemente da classe social a que pertençam. Os escravos, não sendo parte do povo, permanecem sem direitos.

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As diversas polis gregas, com diferentes formas de governo, travam guerras entre si pelo predomínio de seu sistema político.

Democracia na Grécia Antiga

A democracia é uma forma de governo baseada nos princípios da soberania popular e na distribuição equitativa do poder político, na qual os diversos estratos da população têm os mesmo direitos civis e políticos e participam na condução do Estado.

Vale destacar que a democracia criada pelos gregos é única durante a Antiguidade e só é retomada na Idade Moderna.

Por outro lado, é importante frisar que a participação política na democracia grega era restrita, pois esse era um direito reservado aos cidadãos, que eram indivíduos que atendiam aos seguintes requisitos: homem, maior de idade, ateniense de nascimento e livre.

Artes e ciências

“Reconstrução da Acrópole e do Areópago em Atenas”, tela de Leo von Klenze (1846)

Os gregos desenvolveram:

  • Filosofia: Aristóteles, Platão, Heráclito e Epicuro;
  • Dramaturgia: Sófocles, Ésquilo, Eurípedes e Aristófanes;
  • Poesia épica e lírica: Homero, Anacreonte, Píndaro e Safo;
  • História: Heródoto, Tucídides e Xenofonte;
  • Artes plásticas: Fídias;
  • Arquitetura: Ictinas;
  • Astronomia:  Aristarco e Hiparco;
  • Física, química, mecânica, matemática e geometria: Euclides, Tales de Mileto, Pitágoras e Arquimedes.

Mitologia e religião

Na Grécia Antiga, a religião politeísta, praticada pela aristocracia e difundida por Homero, cultuava os deuses Zeus, Hera, Deméter, Poseidon, Hefestos, Ares, Apolo, Artêmis, Hermes e Atena moram no Olimpo e estão relacionados aos elementos naturais e humanos.

Resumo da História da Grécia Antiga

A história grega pode ser dividia em 4 períodos:

  • Homérico;
  • Arcaico;
  • Clássico;
  • Helenístico.

1 – Período Homérico (1700 a.C – 800 a.C)

O período mais antigo da História grega recebe esse nome porque os poucos conhecimentos que temos sobre ele foram transmitidos por dois poemas atribuídos ao poeta grego Homero: Ilíada e Odisseia.

A Ilíada narra a guerra realizada pelos gregos contra Troia, e a Odisseia descreve a aventura de Ulisses ao tentar regressar, depois da Guerra de Troia, à sua ilha natal de Ítaca, para se reunir à mulher e ao filho.

A sociedade nos tempos homéricos estava organizada em genos, que eram comunidades formadas por uma numerosa família cujos membros eram descendentes de um mesmo ancestral.

Todos os indivíduos da família gentílica viviam no mesmo lar, cultuavam o mesmo antepassado e eram liderados por um patriarca, que exercia o poder religioso e a organização das atividades econômicas.

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A economia baseava-se na propriedade comunitária da terra. Os gregos cultivavam cereais, uvas e oliveiras. Além disso, criavam cabras, ovelhas, cavalos e vacas. Produziam também excelente cerâmica, tecidos rústicos , armas e embarcações, O comércio limitava-se à simples troca de  mercadorias.

No final do Período Homérico, o crescimento demográfico e a falta de terras férteis provocavam uma crise cuja conseqüência foi a desagregação das comunidades baseadas no parentesco. As terras coletivas foram desigualmente divididas, dando origem à propriedade privada e a uma maior diferenciação entre as classes sociais.

A sociedade passou a ser constituída por uma poderosa aristocracia rural, por um contingente de pequenos agricultores e por uma maioria de pessoas que nada possuíam.

A desagregação do sistema gentílico restabeleceu a escravidão, deu origem às cidades-estado gregas, como Corinto, Tebas, Mileto e às principais, Atenas e Esparta. 

2 – Período Arcaico (800 a.C – 500 a.C)

Esse período caracterizou-se pelo desenvolvimento das cidades-estado, pela emigração e pela fundação de colônias gregas em regiões longínquas.

O território havia-se tornado pequeno para atender ao crescimento da população, razão pela qual numerosos agricultores foram em busca de possibilidades de subsistência fora da Grécia, formando assim novas colônias gregas em diversas regiões do Mediterrâneo e do Mar Negro. Os gregos fundaram, entre outras, Bizâncio, Siracusa, Nápoles, Nice e Marselha.

3 – Período Clássico (500 a.C – 338 a.C)

No século V a.C., sob o governo de Péricles, Atenas tornou-se a cidade mais importante da Grécia, e a civilização grega atingiu seu maior esplendor.

Esse século, considerado pelos historiadores a Idade de Ouro da civilização grega, ficou conhecido também como Século de Péricles. Nesse período, ocorrem duas guerras: as chamadas Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso.

Guerras Médicas

As Guerras Médicas foram conflitos dos gregos contra os persas, também chamados de medas. As cidades gregas se uniram para enfrentar o inimigo comum que avançava.

Foram duas Guerras Médicas. Na primeira, os persas, na figura do Rei Dario, atacaram os gregos e foram derrotados pelos atenienses em 490 a.C., na batalha de Maratona.

Depois, foi a vez de Xerxes, sucessor de Dario, que também foi derrotado, dessa vez pela esquadra grega sob o comando do ateniense Temístocles, na batalha naval de Salamina (480 a.C.). 

Mapa dos eventos das Guerras Médicas. Fonte: Wikimedia Commons – Juan José Moral

No governo de Péricles, filho de uma família de elite, educado por filósofos e o maior dirigente da democracia ateniense, Atenas conheceu um notável desenvolvimento artístico, literário e se modernizou com a construção de grandes monumentos.

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A democracia atingiu seu apogeu. Péricles conseguiu se reeleger anualmente durante mais de 30 anos. Célebre orador e estrategista, tornou-se o principal artífice da expansão imperial de Atenas como potência comercial da Grécia.

O governante instalou novas colônias e ampliou a hegemonia ateniense sobre muitas cidades-estado, por meio da Liga de Delos, criada para o confronto contra os persas.

Péricles ainda realizou grandes construções em Atenas, como o Partenon, e estimulou as artes e a cultura. Morreu em 429 a.C., durante a Guerra do Peloponeso, de uma peste que eliminou um terço da população
da Ática.

Guerra do Peloponeso

A Guerra do Peloponeso tem início em 431 a.C, como decorrência do antagonismo entre os interesses econômicos e políticos de Corinto (aliada de Esparta) e Atenas. Atenas ataca e domina, mas seu exército é derrotado em Espártalos. A guerra continua até a Paz de Nícias, em 421 a.C.

Esparta e Atenas voltam a se enfrentar pelos mesmos motivos em em 415 a.C.. Finalmente, em 405 e 404 a.C., os espartanos vencem os atenienses e invadem Atenas, que é obrigada a destruir sua muralha de defesa, dissolver a Liga de Delos, entregar a esquadra, fornecer tropas e reconhecer a hegemonia de Esparta. A aristocracia substitui a democracia pela oligarquia.

4 – Período Helenístico (338 a.C – 30 a.C)

Após a Guerra do Peloponeso, a Grécia Antiga continuou agitada por lutas entre as cidades-estado. Filipe, rei da Macedônia, aproveitou-se dessa instabilidade e, em 338 a.C., dominou toda a Grécia.

Este período é denominado Helenístico devido à propagação da cultura grega (ou helena) no grande império macedônico.

Com a morte de Filipe, em 336 a.C., sucedeu-lhe seu filho Alexandre. Este, depois de sufocar uma tentativa de revolta em Tebas, conduziu seu poderoso exército de 40.000 homens para uma guerra contra Dario III, rei da Pérsia.

Após vencer os persas, foi acolhido no Egito como libertador, pois, nessa época, o Egito estava sob domínio dos persas. Lá fundou Alexandria e tornou-se faraó, Após a morte de Alexandre, em 332 a.C., seu gigantesco império foi dividido entre seus generais.

No século II a.C., demasiado enfraquecidos por várias lutas, não conseguiram resistir ao crescente domínio de Roma.

Imagem de capa: “Reconstrução da Acrópole e do Areópago em Atenas”, tela de Leo von Klenze (1846), em Wikimedia Commons.


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